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Padre Roberto Aparecido de Souza (Vigário paroquial)

A palavra “advento” tem origem latina e significa “chegada”, “aproximação”, “vinda”. No Ano Litúrgico, o Advento é um tempo de preparação para a segunda maior festa cristã: o Natal do Senhor. Neste tempo, celebramos duas verdades de nossa fé: a primeira vinda (o nascimento de Jesus em Belém) e a segunda vinda de Jesus (a Parusia). Assim, a Igreja comemora a vinda do Filho de Deus entre os homens (aspecto histórico) e vive a alegre expectativa da segunda vinda d’Ele, em poder e glória, em dia e hora desconhecidos.

Encerramos o Ano Litúrgico com a festa de Cristo Rei e a partir da próxima semana começaremos a viver o Tempo do Advento. Tempo de espera, de esperança, de alegria, Jesus já vem. Mas e nós? Estamos com paciência para esperar? Não é raro ouvirmos a famosa frase de fim de ano: ” Nossa! Como o ano passou rápido! E eu não fiz nada!” Bem, depende muito do que você entende por “nada”. Se o seu nada for não ter conseguido adquirir o carro novo, uma casa nova, aquele sapato, aquele vestido, fazer aquela viagem… até concordo com você. Mas se você ajudou seu próximo, ouviu seu irmão, encorajou-o, abrigou, deu comida, vestiu-o, se harmonizou com sua família, filhos, seu casamento enfrentou e superou as dificuldades, você está com saúde, aí não meu amigo, não concordo não, você fez muita coisa, ainda mais se usou bem este tempo, e foi celebrar com sua comunidade, seus irmãos a vitória de Jesus sobre a morte, aí sim, seu ano foi espetacular.

As quatro semanas do Advento, que terminam na Festa do Natal, são para nós cristãos uma fonte de espiritualidade, uma bússola capaz de dar rumo e sentido à nossas vidas. “O tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, e também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos” (cf. Diretório da Liturgia, 2014, Ano A, p.14), Ano A.

Sendo assim, este tempo é marcado por uma vivência mais profunda da vida de oração. A leitura orante deste período nos coloca em contato com as profecias de salvação do Antigo Testamento, com a expectativa que os cristãos da Igreja primitiva tinham da Parusia e com os eventos principais que antecederam o nascimento de Jesus. A recordação dos eventos que antecederam a primeira vinda de Cristo se torna a base da preparação da Igreja para o novo Advento do Senhor. A Santa Missa e a Liturgia das Horas são os principais momentos celebrativos. Os exercícios de piedade, como a oração e a meditação dos mistérios gozosos do Rosário, a oração do Angelus Domini e a Novena de Natal podem ser um caminho feliz para a vivência da oração comunitária neste tempo.

Portanto, o tempo de Deus não é o nosso, estamos tão preocupados com o tempo, que às vezes não nos damos conta de que também estamos sempre a “apressar” o mesmo. Veja só, nem ainda é dezembro e as casas já estão enfeitadas para o Natal, já não se espera a data tradicional para isso, o 06 de dezembro, quando começamos a ornamentar nossa casa indicando a alegria pela espera de Jesus. Já queremos que chegue logo o Natal, já emende com o Ano Novo, para chegar o momento das férias. Tudo tão material, tão banal. No entanto,não sabemos saborear a espera. Não sabemos aquietar nossos corações, estamos ficando tão imediatistas, queremos que Deus nos dê logo, aquilo que pedimos em prece, ” tem que acontecer logo, meu Deus senão…” Ora, Deus não pode estar a mercê de nossos desejos, de nossas inquietudes. Nós é que temos que nos submeter ao tempo Dele. Nada mais certo do que “o apressado come cru”.

Portanto aprendamos a ser pacientes e na observação, atenta para isso, como são acesas as velas da Coroa do Advento, a cada celebração, a cada domingo é acesa uma vela, e junto com ela uma reflexão, a medida que vamos nos aproximando da data esperada, ela vai se enchendo cada vez mais de luz, começa fraquinha e vai ficando cada vez mais forte. E assim também deveria ser em nossa casa, pequena igreja doméstica, a árvore que a cada semana vai se enchendo de enfeites, cada vez mais bolas, a cada semana mais luz, a cada semana mais desejos, e a cada semana mais alegria e expectativa por Aquele que vai chegar.

E enquanto nós vamos esperando vamos arrumando a casa da nossa alma, nosso coração, vamos “limpando” dos pecados, das angústias, do rancor, do ódio, da inveja, da preguiça, enfeitando nossa “casa” com perdão, com amor, com carinho, com misericórdia, com fraternidade e com doação. E você como vai enfeitar a casa da sua alma? Como vai se preparar para receber este Deus tão esperado por nós? A espiritualidade do Advento é marcada por algumas atitudes básicas: a preparação para receber o Cristo; a oração e a vivência da esperança cristã. A preparação para receber o Senhor se dá na vivência da conversão e da ascese. Precisamos ter um olhar atento sobre nós e a realidade que nos cerca e nos empenharmos para correspondermos com a ação do Espírito de Deus que quer restaurar todas as coisas. O nosso relacionamento com o nosso corpo e os nossos afetos, com nossos familiares e pessoas íntimas, nossa participação na vida eclesial e social devem estar no foco de nossa atenção. A preparação para celebrar o Natal demanda uma confissão sacramental bem feita e um propósito firme de renovação interior.

Em suma, somos chamado à conversão, a busca de Deus e a colaboração com a sua graça. A busca de Deus deve acontecer através da oração e da reconciliação com Deus. A confissão faz parte da vivência do Advento e da preparação para a celebração do Natal.  Durante a preparação do Natal, por outro lado, é muito recomendado que sejam feitas as Novenas de Natal em família e com os vizinhos, para criar um clima orante e de comunhão fraterna para a celebração do Natal. E não pode faltar uma intensa caridade e solidariedade para com os pobres, doentes e todos aqueles que sofrem. Que eles sintam que são lembrados por Deus através da nossa fraternidade. Assim, criamos um clima para o Natal, que é a festa da Fraternidade universal. O Filho de Deus veio ao mundo para reunir em torno de si a humanidade e fazer dela uma grande família de irmãos. Queridos paroquianos! Eu desejo uma boa preparação para o santo Natal e feliz Natal a todos.

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